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sábado, 1 de abril de 2023

E SE...O "AMOR" TIVESSE UMA FORMA?

 


    Em tempos onde as guerras e o ódio têm falado mais alto no mundo, é reconfortante saber que em algum lugar nesse planeta, existe um monumento que exemplifica com tanta sensibilidade, um dos sentimentos mais sublimes do ser humano.

    Convido você a clicar no vídeo e conhecer um pouquinho mais sobre essa magnifica obra de arte, da escultora georgiana Tamara Kvesitadze, que conseguiu com muita criatividade e tecnologia, dar uma forma ao amor.

    Venha conhecer a historia das esculturas gigantes de aço que se movimentam, uma em direção a outra e se beijam, antes de se transpassarem e se afastarem.

Man and Woman - Statue of Love



#alienino #statueoflove

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Filho biológico de ‘três pessoas’ nasce na Grécia



Uma mulher de 32 anos deu à luz na terça-feira, na Grécia, um bebê gerado com material genético de três pessoas.
A técnica experimental de fertilização in vitro foi usada como uma alternativa para solucionar o problema de infertilidade da mãe.
De acordo com os médicos, a mãe e a criança, que nasceu pesando 2,9 kg, passam bem.
O surpreendente caso dos gêmeos que têm pais diferentes
A mulher com dois úteros que deu à luz gêmeos um mês após ter tido outro bebê
Os médicos acreditam que estão "fazendo história na medicina" e que o tratamento poderia ajudar casais com problemas de fertilidade em todo o mundo.
Mas alguns especialistas no Reino Unido afirmam que o procedimento levanta questões éticas e não deveria ter ocorrido.
A técnica experimental utiliza um óvulo da mãe e o esperma do pai, além do óvulo de uma doadora.
E foi desenvolvida inicialmente para ajudar famílias afetadas por doenças mitocondriais fatais, transmitidas da mãe para o bebê.
O tratamento foi testado apenas uma vez com esta finalidade - no caso de uma mulher jordaniana portadora do gene da síndrome de Leigh, em 2016 - e provocou muita polêmica.
Mas alguns médicos especializados em fertilidade acreditam que a tecnologia também pode aumentar as chances de sucesso da fertilização in vitro.
Isso é tudo se deve às mitocôndrias - estruturas minúsculas presentes em praticamente todas as células do corpo humano, responsáveis por converter alimento em energia.
As doenças mitocondriais são distúrbios causados pela disfunção das mitocôndrias. Portanto, combinar o DNA da mãe com a mitocôndria de uma doadora saudável poderia prevenir a doença.
Em geral, a técnica repara a mitocôndria no óvulo materno antes de fertilizá-lo em laboratório com espermatozoide do pai.
Em paralelo, há especulações de que as mitocôndrias podem influenciar uma gravidez bem-sucedida. Mas essa teoria não foi testada.
A mulher que deu à luz nesta semana na Grécia havia passado sem sucesso por quatro ciclos de fertilização in vitro.
Ela agora é mãe, mas uma pequena parte da composição genética do seu filho é da doadora, uma vez que as mitocôndrias possuem DNA próprio.

A estrutura da célula

Núcleo: onde a maior parte do nosso DNA se concentra - determina nossa aparência e personalidade.
Mitocôndrias: muitas vezes descritas como as "usinas de energia" da célula, elas produzem a energia que a célula necessita para exercer suas funções.
Citoplasma: substância gelatinosa que contém o núcleo e as mitocôndrias.

O procedimento experimental foi realizado por especialistas em fertilidade na Grécia e na Espanha.
"O direito inalienável de uma mulher se tornar mãe com seu próprio material genético se tornou realidade", afirmou Panagiotis Psathas, presidente do Institute of Life, em Atenas.
"Estamos muito orgulhosos em anunciar uma inovação internacional em reprodução assistida, e estamos em condição agora de tornar possível para mulheres com múltiplas tentativas fracassadas de fertilização in vitro ou doenças genéticas mitocondriais raras ter uma criança saudável."
O centro espanhol Embryotools, que trabalhou em parceria com a equipe grega, anunciou que outras 24 mulheres estão participando do experimento e que oito embriões estão prontos para serem implantados.
Em fevereiro de 2018, médicos de Newcastle, que foram pioneiros nesta tecnologia, receberam autorização para gerar os primeiros bebês de "três pessoas" do Reino Unido.
O órgão regulador de fertilidade no país aprovou duas tentativas, ambas em famílias com doenças mitocondriais raras.
Alguns especialistas argumentam que as duas aplicações - fertilidade e prevenção de doenças - são moralmente muito diferentes.
"Estou preocupado que não haja necessidade comprovada de que uma mulher tenha material genético removido de seus óvulos e transferido para os óvulos de uma doadora", disse Tim Child, da Universidade de Oxford e diretor médico da organização The Fertility Partnership.
"Os riscos da técnica não são totalmente conhecidos, embora possam ser considerados aceitáveis ​​se usados ​​para tratar doenças mitocondriais, mas não nesta situação."
"A paciente poderia ter concebido mesmo que outro ciclo padrão de fertilização in vitro tivesse que ser usado", avalia.

quinta-feira, 7 de março de 2019

AUTORIDADES AMERICANAS APROVAM NOVO ANTIDEPRESSIVO EM FORMA DE SPRAY NASAL

Foto divulgada pela Janssen Global Services do spray nasal Spravato — Foto: Janssen Global Services via AP

   As autoridades dos Estados Unidos aprovaram o lançamento no mercado de um remédio apresentado como uma revolução no tratamento da depressão, uma doença minimizada por muitos, mas devastadora para os diagnosticados com o mal.
       A agência americana de medicamentos, a FDA, seguiu as recomendações de especialistas e aprovou a esketamina em forma de spray nasal, que será comercializada com o nome de Spravato pela Janssen, a unidade farmacêutica de Johnson & Johnson's.
        A esketamina daria uma nova esperança aos pacientes adultos que resistem atualmente aos remédios disponíveis, como o Prozac.
    O novo fármaco, pensado para as pessoas que já testaram outros medicamentos, é apresentado como uma revolução no combate à depressão.
         Pierre de Maricourt, médico do hospital Sainte-Anne de Paris, que participa em dois testes clínicos de fase 3 do medicamento, financiados pela Janssen, elogiou a aprovação do remédio.
        Ele destacou a "significativa efetividade e a velocidade de ação da esketamina em poucos dias, quando leva de seis a oito semanas para um antidepressivo convencional".
       "Nosso programa de pesquisa sobre a esketamina em forma de spray nasal demonstra uma relação de risco-benefício positiva para os adultos que sofrem com depressão resistente aos tratamentos atuais", disse Husseini K. Manji, diretora de terapias de neurociências na Janssen.
        O laboratório afirma que a molécula permite combater os pensamentos suicidas.
        Maricourt disse que o tratamento deve ser administrado em um centro de saúde para monitorar o paciente. A FDA restringiu a distribuição do remédio, com uso sob vigilância médica, devido ao "potencial de abuso" do medicamento.
         Kim Witczak, que representa os consumidores no painel da FDA e que denuncia os efeitos colaterais dos antidepressivos desde a morte de seu marido, votou contra a autorização de venda, por considerar que os testes podem ser insuficientes.
            A esketamina está relacionada com a ketamina, que é usada como um anestésico em humanos e animais, mas que também é um narcótico.
       De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 300 milhões de pessoas sofrem de depressão, uma doença que limita a capacidade de uma vida cotidiana normal, mas que tem sua gravidade frequentemente subestimada ou confundida com uma depressão passageira. Os casos mais graves podem levar ao suicídio.

quarta-feira, 6 de março de 2019

A ÁRVORE SALADA DE FRUTAS - ATÉ 40 FRUTOS DIFERENTES !



Não é difícil perceber alguns milagres que a natureza já realizou ao longo dos tempos, como novas plantas e animais (das mais variadas formas) que são descobertas ao redor do globo terrestre, não é verdade? Pois é, mas quando o ser humano tenta “dar uma de esperto” e entra em ação para alterar algo na natureza, quase sempre algo ruim acontece — isso é real, fato comprovado.

Contudo, não foi isso o que aconteceu com uma invenção bastante inusitada de um escultor americano. O ilustre Sam Van Aken, professor de arte da Universidade de Syracuse, nos EUA, teve uma ideia mirabolante: comprar um pomar falido — na Estação Experimental Agrícola do Estado de Nova York, que tinha mais de 200 anos de idade e estava prestes a ser fechado devido à falta de financiamento — e transformá-lo em uma árvore “multifrutas”, com 40 tipos diferentes de frutas.

Como ele fez isso?

Depois de comprar o antigo pomar — isso em 2008 —, Sam passou uns anos tentando descobrir como enxertar partes de algumas árvores em uma única árvore frutífera. Para isso, ele conseguiu mais de 250 variedades de frutas que têm caroço, e acabou desenvolvendo um método em cronograma com informações bem úteis, como em que época cada uma delas florescia em relação às outras.

Com isso, o cara começou a combinar alguns enxertos na estrutura de uma árvore, e, depois de dois anos de observações e anotações, a equipe usou uma técnica — chamada “chip de enxerto” — para acrescentar as variedades em outros ramos distintos. O resultado só veio ficar pronto depois de cinco anos de experimentos.

A árvore dos 40 frutos.
E deu certo?

Com certeza, e com maestria! A invenção de Sam não só realmente dá 40 tipos de frutos diferentes, mas também tem um detalhe bem interessante: todas as frutas crescem ao mesmo tempo!

Na primavera, a árvore mostra um mosaico cheio de flores (rosas, brancas, vermelhas e roxas). Já no verão, esse belo quadro se transformam em uma verdadeira fonte de ameixas, pêssegos, damascos, nectarinas, cerejas, amêndoas, etc. Incrível, não?

Até agora, mais de 16 árvores de 40 frutos foram feitas e plantadas em diversos lugares, como em museus, centros comunitários e coleções de arte privadas em todo território americano. A próxima missão de Van é produzir um pequeno pomar dessas árvores em um cenário marcante da cidade de Nova York.


Veneno de aranha encontrada no Brasil pode ser novo Viagra



O veneno de aranhas Phoneutria nigriventer está sendo visto com interesse como solução para a disfunção erétil. A espécie, conhecida como armadeira ou aranha-bananeira, é encontrada no Brasil, no Uruguai, no Paraguai e na Argentina, e tem uma mordida perigosa que provoca um efeito colateral peculiar: ereções anormalmente longas.

Os pesquisadores sabem sobre os efeitos do veneno da aranha desde o início dos anos 2000 e muitos estudos têm sido feitos com base nele. A aranha tem até 13-15 centímetros de pernas e a neurotoxina presente no seu veneno causa perda de controle muscular. Pode levar a problemas respiratórios, paralisia e eventual asfixia. A ereção causada pela mordida é dolorosa, dura muitas horas e pode levar à impotência. Mas apenas 2,3% dos casos (principalmente em crianças) requerem o uso de antídotos.

No novo artigo, publicado no Journal of Sexual Medicine, detalham-se os efeitos de uma versão sintética do ingrediente ativo do veneno, conhecido como PnPP-19, em animais que sofrem de diabetes e pressão alta. Em camundongos, o composto foi bem sucedido na criação de ereções sem causar efeitos colaterais adversos. Os pesquisadores determinaram que o veneno induz o relaxamento do tecido esponjoso nos órgãos sexuais, levando ao aumento do fluxo sanguíneo que causa uma ereção.

O estudo mostrou que a droga sintética pode ser administrada com sucesso e segurança mesmo em casos de hipertensão e diabetes em camundongos e ratos. Pode ser ministrada por injeção ou via gel tópico, embora a permeabilidade do gel seja de apenas 10%.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Programa espacial da Nasa busca vida alienígena no 2º maior satélite do Sistema Solar


A ideia de que alguma forma de vida possa existir no satélite Titã de Saturno é sugerida por Amanda Hendrix, cientista planetária da Nasa encarregada pelo programa de exploração de locais no Sistema Solar onde podem existir oceanos subterrâneos.

"Precisamos entender se esses oceanos são habitáveis e, se assim for, se existe vida neles", afirma a cientista resumindo as metas do Ocean Worlds Exploration Program (Programa de Exploração dos Mundos de Oceanos) da NASA, reporta o Express.

O relatório destaca que os especialistas têm evidências explícitas de que este satélite de Saturno, considerado o segundo maior satélite do Sistema Solar, contém massas líquidas estáveis em sua superfície.

"Titã é um mundo oceânico único, porque tem um oceano subterrâneo e também tem lagos de hidrocarbonetos líquidos na superfície", destaca a cientista.

Embora a especialista afirme que certamente não existem "alienígenas com cabeças verdes nadando por ali", ela acredita que as condições na superfície desse satélite são apropriadas para propiciar a presença de vida. Os oceanos do satélite podem conter algumas "formas de vida simples" e, por isso, "pode haver alguma forma de vida irracional baseada em metano na superfície de Titã", sugere.

Outros lugares que também poderiam abrigar vida, segundo Hendriz, seriam o sexto maior satélite de Saturno, Encélado, e o sexto satélite de Júpiter, Europa.

A especialista informa que a NASA está atualmente decidindo entre duas possíveis missões exploratórias para estudar essas luas.

Como rápida mudança no polo norte magnético da Terra poderá afetar humanidade?


A bússola magnética continua sendo uma importante ferramenta de navegação, mesmo na era do GPS, mas o problema é que a agulha de uma bússola está sempre alinhada com o polo norte magnético da Terra, que está sempre em fluxo.

O polo magnético apesar de ser lento, é um constante viajante, e os geólogos dizem que ele está se movendo do Ártico canadense para a Sibéria, na Rússia, a uma taxa anual de mais de 55 quilômetros.

Essa mudança é causada pela convecção – uma rotação lenta da rocha fluida e do metal fundido no núcleo externo da Terra – e é o metal líquido que gera o imenso campo magnético do nosso planeta.

"Essa é a mudança da velocidade de rotação das diferentes partes do núcleo externo, que significa que o movimento do polo norte magnético não tem a mesma velocidade através do tempo", disse Paul Byrne, professor na Universidade da Carolina do Norte (EUA), à emissora de TV CBS 17.

Conhecer a localização do polo norte magnético é crucial para os sistemas de navegação que empregam bússolas magnéticas.

Por esta razão, os cientistas desenvolveram o Modelo Magnético Mundial (WMM, na sigla em inglês) – uma representação do campo magnético da Terra, que permite que o norte magnético seja fixado precisamente.

A cada cinco anos uma versão atualizada do modelo é apresentada, sendo o próximo lançamento agendado para o final de 2019. Porém, mudanças recentes fizeram com que os cientistas lançassem a atualização no início deste mês.

Os cientistas asseguram que as mudanças serão relativamente menores para o usuário comum, mas que afetarão principalmente àqueles que vivem ou viajam ao redor do extremo Ártico. Espera-se também que a atualização seja útil para militares, companhias aéreas comerciais, navios e aeronaves de busca e resgate, NASA e outras agências e grupos que dependem da navegação de precisão no extremo norte.

Segundo Byrne, "esses mapas são usados para todos os tipos de coisas, incluindo a navegação de aeronaves e veículos militares para entender onde as pessoas estão na Terra".

"Honestamente, isso não faz uma grande diferença para as pessoas que não estão vivendo muito perto do polo. De fato, [isso] afeta apenas às pessoas que estão realmente próximas do polo norte magnético", explica.

Ele acrescenta que os aplicativos de navegação "vão receber mais uma atualização desse mapa de campo magnético e, como resultado disso, os usuários não verão nenhuma diferença usando seus telefones, [pois] eles são bons".

Israel consegue lançar com sucesso sonda Beresheet para explorar a Lua

O módulo israelense Beresheet decolou nesta quinta-feira (21) rumo ao espaço a bordo de um foguete Falcon 9, da empresa SpaceX. O principal objetivo da missão é medir o campo magnético do satélite.
O próximo desafio, agora é conseguir pousar na Lua. Se isso acontecer, Israel será o quarto país do mundo a chegar ao satélite.
Outra curiosidade desta missão é que esta é a primeira vez que a iniciativa privada financia o lançamento de um satélite. O projeto foi liderado pela SpaceIL, organização israelense criada em 2011 justamente para levar a primeira nave espacial do país até a Lua.
Além de Beresheet, o foguete também carrega o satélite Nusantara Satu e um laboratório de pesquisa da Força Aérea dos Estados Unidos.
"O principal objetivo científico será medir o campo magnético da Lua. Isso nos ajudará a entender sua origem", disse Oded Aharonson, do departamento de Ciências da Terra e Planetárias do Instituto Weizmann de Ciência, em entrevista ao "The Jerusalem Post".
No horário previsto, às 20h45 (horário local, 22h45 de Brasília), o Falcon 9 deixou o Complexo 40 do Cabo Canaveral, no centro da Flórida, com Beresheet.
O módulo pesa aproximadamente 585 quilos, mede aproximadamente 1,5 metro e custou US$ 100 milhões.
Estados Unidos, Rússia e China já enviaram sondas para explorar a Lua. Neste ano, a agência espacial americana (Nasa) comemora os 50 anos de uma missão tripulada ao satélite.


    terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

    Funções cerebrais poderão evoluir artificialmente

    "Segundo pesquisador argentino, Facundo Manes, a engenharia genética e a biotecnologia podem potencializar a capacidade cognitiva no futuro"





    A manipulação de genes, os efeitos tóxicos e regenerados, os medicamentos potencializadores do processamento cognitivo e da função cerebral vão expandir as funções cerebrais no futuro, segundo o neurocientista argentino Facundo Manes.

    "Talvez o próximo passo para o nosso cérebro não seja uma evolução natural, mas está relacionado à influência da engenharia genética e da biotecnologia", afirma o neurologista e neurocientista argentino Facundo Manes.

    A interface cérebro-máquina, a inserção de implantes cerebrais, as drogas cognitivas e outros avanços poderiam ser aplicados a pessoas saudáveis ​​para dotá-los de uma superinteligência, de acordo com este autor especialista de "O cérebro do futuro"

    "Faz sentido perguntar quando o futuro começou? Ele já está entre nós ", diz o neurologista.

    Manes preside o Grupo de Pesquisa em Afasia, Demência e Distúrbios Cognitivos da Federação Mundial de Neurologia e dirige na Argentina o INECO (Instituto de Neurologia Cognitiva) e o Instituto de Neurociências da Fundação Favaloro, dois centros de ponta em as neurociências na América Latina.

    Silêncio - Ausência de barulho pode turbinar o cérebro e a criatividade

    Vivemos cercados de som e barulho, mas o que acontece quando nos deparamos com o verdadeiro silêncio? O barulho do trânsito, sirenes estridentes, vozes altas, alertas de mídia social - tudo pode ser avassalador na vida de alguém, mas ainda assim a ausência de som tem sido associada à solidão, ao tédio ou à tristeza.
    "Vivemos na era do barulho. O silêncio está quase extinto", afirma o filósofo e aventureiro Erling Kagge.
    E ele diz isso com propriedade: Erling explorou o poder do silêncio e tornou-se a primeira pessoa a alcançar os "três polos" do norte, sul e o cume do Everest.
    Mas por que precisamos de silêncio, como o perdemos e onde poderíamos encontrá-lo novamente?

    Silêncio permite que nos sintamos 'presentes'
    "A Antártida é o lugar mais quieto em que eu já estive", diz Erling. "Ali, estava cada vez mais atento ao mundo do qual faço parte."
    Ele explica como o silêncio que encontrou em sua expedição permitiu que se sentisse mais "presente": "Eu não estava nem entediado nem interrompido. Eu estava sozinho com meus próprios pensamentos e ideias... Eu estava presente em minha própria vida".
    Obviamente não podemos ir todos para um deserto gelado a qualquer momento, mas talvez seja possível encontrar um espaço silencioso - um quarto, algum canto silencioso de um jardim ou um cubículo de banheiro - pode nos ajudar a tirar um momento da correria de nossas rotinas diárias e a nos reconectar com nós mesmos.
    Erling acredita que todos nós podemos encontrar nosso "silêncio interno" e sugere "ficar de pé no chuveiro... sentado em frente a um fogo crepitante, nadando em um lago na floresta, ou dando um passeio por um campo".
    "Todas essas podem ser experiências de quietude perfeita."
    O silêncio nos dá espaço para pensar

    O silêncio é "uma chave para desbloquear novas formas de pensar", diz Erling, e a ciência apoia a teoria do filósofo.
    Mesmo sem o estímulo do som, nossos cérebros permanecem ativos e dinâmicos.
    Um estudo de 2001 realizado por neurocientistas da Universidade de Washington descobriu que havia uma função cerebral "modo padrão": eles concluíram que um cérebro "em repouso" ainda estava em ação, constantemente absorvendo e avaliando informações.
    Pesquisas subsequentes mostraram que esse "modo padrão" também nos ajuda a refletir.
    O artigo Frontiers in Human Neuroscience, de 2013, afirma que, mesmo quando o cérebro repousa, ainda é capaz de processar informações no que eles chamam de "espaço de trabalho consciente".
    Silêncio e descanso podem ser a chave para o nosso melhor pensamento criativo e nossas maiores ideias.
    O silêncio é uma ferramenta poderosa de conversação

    "O silêncio é uma das grandes artes da conversa", disse o famoso orador romano Cícero.
    Na conversa ou no debate, é fácil esquecer o poder do silêncio - mas ficar quieto pode ser uma ferramenta muito eficaz, e é uma opção que todos temos à disposição.
    Ao fazer uma pausa, você pode falar com mais calma e sabedoria: o silêncio pode ser o espaço entre uma explosão inútil de sentimento e uma resposta ponderada.
    Isso também mostra confiança em um argumento. "Nada fortalece mais a autoridade do que o silêncio", afirmou Leonardo da Vinci.
    Mas, além de nos ajudar a derrotar um adversário, ele pode nos ajudar a fortalecer nossos relacionamentos.
    Ao ficar em silêncio, você está naturalmente ouvindo mais e dando aos outros a oportunidade de compartilhar.
    O silêncio pode realmente ajudar nossos cérebros a crescerem.
    Em 2013, a bióloga Imke Kirste estava testando os efeitos do som nos cérebros de ratos. 
    Os resultados foram surpreendentes: os sons não tiveram impacto duradouro, mas duas horas de silêncio por dia estimularam o desenvolvimento celular no hipocampo - a parte do cérebro que ajuda a formar as memórias.
    Não era o som em si, mas a própria ausência que criava novas células no cérebro dos ratos. Embora o crescimento de novas células cerebrais não tivesse necessariamente benefícios para a saúde, essas células pareciam se tornar neurônios funcionais.
    Se uma ligação entre o silêncio e a geração de neurônios puder ser estabelecida em humanos também, há uma chance de que o silêncio possa ser usado para ajudar pacientes com condições como demência e depressão.
    O silêncio é o antídoto a redes sociais
    "As notificações da tela de um celular podem ser viciantes", adverte o filósofo e aventureiro Erling Kagge.
    "Quanto mais somos inundados, mais desejamos nos distrair. Verificamos e revisamos nossos telefones como um bandido armado, na tentativa de obter satisfação."

    Mas, em vez de encontrar satisfação, ele afirma que essa forma de ruído gera ansiedade e sentimentos negativos. "Podemos ficar viciados nas mídias sociais, mas isso não significa que estamos felizes."
    "O silêncio", diz Erling, "é o oposto de tudo isso. É sobre entrar no que você está fazendo, e não viver com outras pessoas e outras coisas".
    Pode ser um pensamento assustador, mas tente um jejum tecnológico de algumas horas.
    Conquiste estas rupturas devagar até que você possa passar um dia inteiro sem seu telefone ou tablet e veja como você se sente depois dessa experiência.
    O silêncio ajuda a aliviar o estresse
    A enfermeira britânica Florence Nightingale escreveu que "o ruído desnecessário é a mais cruel ausência de cuidados que pode ser infligida a pessoas doentes".
    Ela argumentava que todo som desnecessário poderia causar temor, angústia e perda de sono para pacientes em recuperação.
    A pesquisa moderna apoia os pontos de vista dela elaborados no século 19: foram descobertas correlações entre pressão alta e ruído crônico - como o de estradas e aeroportos.
    O ruído também pode resultar em níveis elevados de estresse - acredita-se que as ondas sonoras ativam a amígdala, que está associada à formação da memória e à emoção, causando uma liberação de hormônios do estresse.

    Esse processo pode ocorrer mesmo enquanto dormimos.
    O silêncio, no entanto, tem o efeito oposto: ajuda a liberar a tensão no cérebro e no corpo.
    Um estudo publicado na revista Heart descobriu que dois minutos de silêncio podem ser ainda mais calmos do que ouvir música "relaxante".