terça-feira, 12 de março de 2019

Morador de rua fica rico e contrata apenas pessoas desabrigadas.


A vida é realmente incrível. Em um dia podemos estar sem casa, desempregado, e sem nenhuma perspectiva de vida, e em algum momento da vida, temos uma reviravolta, e no outro dia, estarmos em uma realidade totalmente oposta, podendo ajudar aqueles que vivem na mesma situação que um você também já viveu. Ainda bem que o mundo dá voltas, não é mesmo?
E o melhor disso tudo é quando podemos tirar o melhor das experiências que temos na vida. E Drew Goodall fez isso. Hoje, o homem que já morou na rua, tem uma condição financeira que lhe possibilita oferecer uma oportunidade para outras pessoas em situações precárias.
Sua história
Drew Goodall tinha o sonho desde a infância de se tornar ator. Aos vinte anos, depois de fazer o curso de teatro, ele conseguiu os seus primeiros papéis, em filmes como Snatch e About a boy. Durante esse período, ele chegou a conhecer grandes atores como Brad Pitt e Hugh Grant.
Tudo parecia ir bem, até que uma crítica de seu desempenho acabou com a sua carreira e mudou totalmente a sua vida. Ele começou a ficar sem dinheiro e não quis procurar ajuda dos seus pais por vergonha. Ele não queria voltar para casa da sua família como um fracasso. Como não tinha dinheiro para pagar o aluguel do apartamento em que morava, o proprietário acabou o expulsando de lá. Drew ficou morando nas ruas de Londres por seis meses nos anos 1990.
Durante esse tempo, ele lutava para sobreviver nas ruas, implorando por comida, sofrendo agressões de bêbados e outros moradores de rua. Ele conta que costumava dormir em caixas de papelão na porta da Academy of Performing Arts, na capital londrina. Sem sombra de dúvidas foi o pior momento da vida de Drew, ele chegou a desenvolver depressão.
Reviravolta
Sua vida começou a mudar novamente, quando ele começou a polir sapatos para ganhar dinheiro. Por ser uma atividade irregular, ele vivia fugindo da polícia para não ser pego. Após seis meses trabalhando como engraxate, um de seus clientes lhe ofereceu uma oportunidade, onde ele poderia fazer o mesmo trabalho de polir sapatos, porém em seu escritório.
Quando ele começou a ganhar mais dinheiro, Drew teve uma ideia "louca" e resolveu começar a sua própria empresa, chamada de Sunshine Shoeshine. E o negócio deu tão certo, que hoje ele faz parceria com importantes empresas de Londres, cujos executivos não abrem mão de sapatos bem polidos. Drew chega a ganhar mais de US$ 250.000 por ano, e usa grande parte desse dinheiro para ajudar instituições de caridade.
Ele atribui o seu sucesso profissional hoje ao tempo em que ele passou nas ruas, e que nunca esqueceu do que ele teve que passar até chegar onde chegou. Por esse motivo é que quase todos os funcionários da Sunshine Shoeshine são desabrigados e pessoas com necessidades especiais.
Ele já empregou mais de 40 pessoas que vivem nas ruas. Alan Walton, de 45 anos, é uma dessas pessoas, o homem que estava desempregado há 15 anos e com problemas de saúde, hoje agradece a Drew que lhe deu esperança de um futuro melhor.

Cabra de 3 anos é eleita prefeita de cidade nos Estados Unidos

Obviamente, o animal não vai assinar leis e discutir o orçamento da cidade.

A cabra Lincoln, de 3 anos, foi eleita prefeita de Fair Haven, cidade com 2.500 moradores localizada no estado de Vermont (EUA), perto da divisa com Nova York. 
O cargo tem valor honorário. Obviamente, a cabra não vai assinar leis e discutir o orçamento da cidade. Ela apenas vai representar Fair Haven em eventos oficiais, usando uma faixa de prefeita. Uma de suas missões é participar de desfiles cívicos.
Na verdade, Fair Haven não tem um prefeito humano. A cidade é administrada por uma espécie de gerente, Joseph Gunter. Foi dele a ideia de introduzir o reino animal na política.
Empossada nesta passada, Lincoln derrotou outros 16 animais, incluindo cães, gatos e até um gerbil (também conhecido como rato-do-deserto). Em segundo lugar no pleito ficou a cadela Sammie. Ela assumirá no caso de morte ou impeachment de Lincoln. Sammie chegou a fazer "boca de urna", lambendo todos os eleitores no local de votação. Mas não emplacou.
A votação foi aberta para eleitores registrados e outros moradores ainda sem direito a eleger os seus representantes. O mandato de Lincoln vai durar um ano. Ao que tudo indica, ela deverá tentar a reeleição. Está com cartaz! Até o deputado democrata Peter Welch, que representa Vermont na Câmara dos Representantes, deu os parabéns à caprina pela vitória.

quinta-feira, 7 de março de 2019

AUTORIDADES AMERICANAS APROVAM NOVO ANTIDEPRESSIVO EM FORMA DE SPRAY NASAL

Foto divulgada pela Janssen Global Services do spray nasal Spravato — Foto: Janssen Global Services via AP

   As autoridades dos Estados Unidos aprovaram o lançamento no mercado de um remédio apresentado como uma revolução no tratamento da depressão, uma doença minimizada por muitos, mas devastadora para os diagnosticados com o mal.
       A agência americana de medicamentos, a FDA, seguiu as recomendações de especialistas e aprovou a esketamina em forma de spray nasal, que será comercializada com o nome de Spravato pela Janssen, a unidade farmacêutica de Johnson & Johnson's.
        A esketamina daria uma nova esperança aos pacientes adultos que resistem atualmente aos remédios disponíveis, como o Prozac.
    O novo fármaco, pensado para as pessoas que já testaram outros medicamentos, é apresentado como uma revolução no combate à depressão.
         Pierre de Maricourt, médico do hospital Sainte-Anne de Paris, que participa em dois testes clínicos de fase 3 do medicamento, financiados pela Janssen, elogiou a aprovação do remédio.
        Ele destacou a "significativa efetividade e a velocidade de ação da esketamina em poucos dias, quando leva de seis a oito semanas para um antidepressivo convencional".
       "Nosso programa de pesquisa sobre a esketamina em forma de spray nasal demonstra uma relação de risco-benefício positiva para os adultos que sofrem com depressão resistente aos tratamentos atuais", disse Husseini K. Manji, diretora de terapias de neurociências na Janssen.
        O laboratório afirma que a molécula permite combater os pensamentos suicidas.
        Maricourt disse que o tratamento deve ser administrado em um centro de saúde para monitorar o paciente. A FDA restringiu a distribuição do remédio, com uso sob vigilância médica, devido ao "potencial de abuso" do medicamento.
         Kim Witczak, que representa os consumidores no painel da FDA e que denuncia os efeitos colaterais dos antidepressivos desde a morte de seu marido, votou contra a autorização de venda, por considerar que os testes podem ser insuficientes.
            A esketamina está relacionada com a ketamina, que é usada como um anestésico em humanos e animais, mas que também é um narcótico.
       De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 300 milhões de pessoas sofrem de depressão, uma doença que limita a capacidade de uma vida cotidiana normal, mas que tem sua gravidade frequentemente subestimada ou confundida com uma depressão passageira. Os casos mais graves podem levar ao suicídio.

quarta-feira, 6 de março de 2019

A ÁRVORE SALADA DE FRUTAS - ATÉ 40 FRUTOS DIFERENTES !



Não é difícil perceber alguns milagres que a natureza já realizou ao longo dos tempos, como novas plantas e animais (das mais variadas formas) que são descobertas ao redor do globo terrestre, não é verdade? Pois é, mas quando o ser humano tenta “dar uma de esperto” e entra em ação para alterar algo na natureza, quase sempre algo ruim acontece — isso é real, fato comprovado.

Contudo, não foi isso o que aconteceu com uma invenção bastante inusitada de um escultor americano. O ilustre Sam Van Aken, professor de arte da Universidade de Syracuse, nos EUA, teve uma ideia mirabolante: comprar um pomar falido — na Estação Experimental Agrícola do Estado de Nova York, que tinha mais de 200 anos de idade e estava prestes a ser fechado devido à falta de financiamento — e transformá-lo em uma árvore “multifrutas”, com 40 tipos diferentes de frutas.

Como ele fez isso?

Depois de comprar o antigo pomar — isso em 2008 —, Sam passou uns anos tentando descobrir como enxertar partes de algumas árvores em uma única árvore frutífera. Para isso, ele conseguiu mais de 250 variedades de frutas que têm caroço, e acabou desenvolvendo um método em cronograma com informações bem úteis, como em que época cada uma delas florescia em relação às outras.

Com isso, o cara começou a combinar alguns enxertos na estrutura de uma árvore, e, depois de dois anos de observações e anotações, a equipe usou uma técnica — chamada “chip de enxerto” — para acrescentar as variedades em outros ramos distintos. O resultado só veio ficar pronto depois de cinco anos de experimentos.

A árvore dos 40 frutos.
E deu certo?

Com certeza, e com maestria! A invenção de Sam não só realmente dá 40 tipos de frutos diferentes, mas também tem um detalhe bem interessante: todas as frutas crescem ao mesmo tempo!

Na primavera, a árvore mostra um mosaico cheio de flores (rosas, brancas, vermelhas e roxas). Já no verão, esse belo quadro se transformam em uma verdadeira fonte de ameixas, pêssegos, damascos, nectarinas, cerejas, amêndoas, etc. Incrível, não?

Até agora, mais de 16 árvores de 40 frutos foram feitas e plantadas em diversos lugares, como em museus, centros comunitários e coleções de arte privadas em todo território americano. A próxima missão de Van é produzir um pequeno pomar dessas árvores em um cenário marcante da cidade de Nova York.


LOBISOMEM ASSUSTA MORADORES DE MIRASSOLÂNDIA HÁ MAIS DE 30 ANOS APÓS IMAGEM MISTERIOSA


Quando o sol se põe em dias de lua cheia o céu estrelado fica propício para aparição do lobisomem, um ser mitológico que é metade lobo e metade homem. Os moradores de Mirassolândia, no interior de SP, dizem ter um grande motivo para ficarem apreensivos em noites com essas características.

Eles garantem que lobisomem existe e já assustou muita gente. Isso porque um ex-peão de rodeio da cidade, Osmar Nascimento, considerado “valente” por muitos, saiu para fotografar o ser em um cemitério de Nova Granada (SP), em abril de 1985. O resultado foi uma imagem intrigante.

Hoje, a dúvida é se a imagem é de um desenho ou fotografia. No entanto, naquela época os moradores da região acreditaram mesmo que seria uma fotografia do homem-lobo.

O barbeiro Marcelino Inácio de Souza garante que este ser existiu. “Todo mundo da cidade falava que ele existia e muita gente viu. Ele era na figura de um cachorro preto”, afirma.

Os amigos do ex-peão João Vanderlei Gonçalves e Luiz Fachini até lembram do dia em que Osmar saiu para registrar a existência do lobisomem.

A imagem repercutiu e o assunto foi manchete de diversos jornais da época. O “valente” até foi entrevistado e disse sem medo que “fotografar este bicho não é nada para mim, é fichinha.”

Enquanto isso, as crianças da época tinham medo do lobisomem e, quando precisavam sair de casa sozinhos durante a noite, era um verdadeiro desafio.

“Com seis, sete anos, você fica impressionado com a foto que parecia algo sobrenatural, as crianças tinham medo de se encontrar com o tal lobisomem”, lembra Jairo Garcia Pereira.

A polêmica já até se tornou caso de polícia quando uma dupla de amigos se fantasiou de lobisomem para assustar os moradores da cidade.

“A máscara ficou apreendida no Fórum, mas a gente absolvido. No dia, o juiz disse que foi algo que nunca viu e dava risada”, lembra o agropecuarista Jair Henrique.

Já o citricultor Paulinho Tamarindo ficou conhecido por se fantasiar. “Fui lobisomem por um tempo e até hoje meu apelido é lobisomem.”

Quem tornou pública a imagem do lobisomem não pode garantir se trata-se de uma fotografia ou uma pintura, mas o filho do ex-peão e “fotógrafo” jura de pé junto que o ser mitológico existiu.


Veja o vídeo:

A LENDA DA MATINTA PERERA

Conta a lenda, que à noite, um assobio agudo perturba o sono das pessoas e assusta as crianças, ocasião em que o dono da casa deve prometer tabaco ou fumo. A Matinta Perera é uma ave de vida misteriosa e cujo assobio nunca se sabe de onde vem. Dizem que ela é o Saci Pererê em uma de suas formas. Também assume a forma de uma velha vestida de preto, com o rosto parcialmente coberto. Prefere sair nas noites escuras, sem lua. Quando vê alguma pessoa sozinha, ela dá um assobio ou grito estridente, cujo som lembra a palavra: “Matinta Perêra…”

Para os índios Tupinambás esta ave, era a mensageira das coisas do outro mundo, e que trazia notícias dos parentes mortos. Era chamada de Matintaperera. Para se descobrir quem é a Matinta Pereira, a pessoa ao ouvir o seu grito ou assobio deve convidá-la para vir à sua casa pela manhã para tomar café.

No dia seguinte, a primeira pessoa que chegar pedindo café ou fumo é a Matinta Pereira. Acredita-se que ela possua poderes sobrenaturais e que seus feitiços possam causar dores ou doenças nas pessoas. Em alguns lugares, se apresenta como um velho, a cabeça amarrada com um pano ou lenço, como se fosse uma pessoa doente, indo de porta em porta, também a pedir tabaco.

Um ponto em comum em todas as versões encontradas, é que se trata de um indivíduo nômade, que anda a gritar, ou com seu assobio de pássaro, ou a tocar uma flauta, sempre a pedir tabaco. No Tupi encontramos Mata como significado de coisa grande, e mati para coisa pequena. No nosso caso da Matinta-Pereira, o mati significa um ente misterioso, nem ave, nem quadrúpede, nem serpente, mas tendo de todos estes alguma coisa. Mora nas ruínas, junto com onças, corujas e cobras.

Há na região Norte, sociedades secretas femininas chamadas de Tapereiras, que o povo chama de Mati-taperereiras. Às vezes usam do medo que provocam na população para obterem vantagens. Conta-se que garotos de 10 a 14 anos, como serventes e nas noites sem luar, saem a gritar imitando a Matinta-pereira. O povo assustado fecha as portas e janelas, e todos se calam para não atrair o “demônio” para suas casas.

Nos dias seguintes a essa noite, todos sabem que durante o dia chegará às suas portas uma velha a pedir tabaco. Nesse caso é melhor dar, ou charutos, e mais alguma coisa para comer. Insatisfeita tentará entrar na casa; Satisfeita ela irá embora sem causar mal algum.
Notas Complementares: Nomes comuns: Matinta Pereira, Matinta, Mati-tapereira, Matim-taperê, etc. Origem Provável: Mito que ocorre no Sul, Centro e Norte e Nordeste do Brasil. Para alguns é uma variação da lenda do Saci.

Ao ouvir durante a noite, nas imediações da casa, um estridente assobio, o morador diz:: – Matinta, pode passar amanhã aqui para pegar seu tabaco. No dia seguinte uma velha aparece na residência onde a promessa foi feita, a fim de apanhar o fumo.

Na região Norte, especialmente Pará, a Matinta Pereira, seria um pequeno índio, de uma perna só e com um gorro vermelho na cabeça, semelhante ao Saci, que não evacua nem urina, sujeito a uma horrível velha, a quem acompanha às noites de porta em porta, a pedir tabaco. A velha que o acompanha canta, ao som do canto de um pássaro noturno chamado Matin-ta-perê.

Em Pernambuco há uma referência a uma ave noturna, cujo canto se assemelha a um grito, muito temido por todos, por ser considerado de mau agouro. É a mesma Matinta, mas esta parece dizer: “Saia-Dela”.

Esta é provavelmente uma adaptação da lenda do Saci. Inclusive o pássaro no qual ela se transforma, chamada Matin-ta-perê, que além de ser preta tem o costume de andar pulando numa perna só, é a mesma que entre os Tupinambás, com o tempo se transformou no moleque Saci.

A velha é uma pessoa do lugar que carregaria a maldição de “virar” Matinta Perera, ou seja, à noite transformar-se neste ser indescritível que assombra as pessoas. A Matinta Perera pode ser de dois tipos: com asa e sem asa. A que tem asa pode transformar-se em pássaro e voar nas cercanias do lugar onde mora. A que não tem, anda sempre com um pássaro, considerado agourento, e identificado como sendo “rasga-mortalha”. Dizem que a Matinta, quando está para morrer, pergunta: “Quem quer? Quem quer?” Se alguém responder “eu quero”, pensando em se tratar de alguma herança de dinheiro ou jóias, recebe na verdade a sina de “virar” Matinta Perera.

Existem várias formas de escrever o seu nome: Matinta Pereira, Matinta Perêra, Matinta Perera, Mati-Taperê, Mat-taperê, Matim-Taperê, Titinta-Pereira. Ela se apresenta como sendo uma velha, geralmente acompanhada de um pássaro. O pássaro assobia, à noite, para perturbar o sono das pessoas e assustar as crianças.

Há os que dizem que já tiveram a infeliz experiência de se deparar com a visagem dentro do mato. A maioria a descreve como uma mulher velha com os cabelos completamente despenteados e que tem o corpo suspenso, flutuando no ar com os braços erguidos. Ao ver uma Matinta, dizem os experientes, não se consegue mover um músculo sequer. A pessoa fica tão assustada que fica completamente imóvel! Paralisada de pavor!

LENDAS E CAUSOS DA QUARESMA IV - O PESCADOR TEIMOSO

Nos tempos antigos, para muitos católicos praticantes, a Sexta-feira Santa era realmente Santa. Era um dia dedicado ao Jejum, à oração, ao arrependimento, ao perdão, ao reencontro de familiares e também de muita fartura.

Na Sexta-Feira Santa! Ai de quem falasse alto, varresse casa, penteasse o cabelo, fizesse amor, batesse ou brigasse com alguém, quebrasse o jejum, ou fizesse esforço físico.

Pescar, nem pensar! Porém, um certo pescador no município de Raposa, reclamando para seus colegas que estava sem dinheiro para tomar umas cervejas no sábado de aleluia, e até mesmo para comprar uma roupa nova para vestir no dia de festa após a quaresma, convidou-lhes para fazer uma pescaria. Os mesmos relutaram por ser sexta-feira santa.

Mas, depois de muita insistência, e para ajudarem o amigo que estava em péssima situação financeira, resolveram acompanha-lo na pescaria de espinhel em uma canoa biana.

Muito feliz com o apoio dos amigos, comprou logo uma garrafa de pinga fiado, e depois de uns goles, gritou aos amigos que hoje eles fariam uma pescaria das boas. Porém, quando eles saíram para pescar, ao se aproximarem da saída da barra rumo ao pesqueiro, aparece ao pescador uma mão aberta fora da água, que somente ele conseguia ver. Como esse pescador era gago e moreno, mesmo pálido e ofegante, tinha muita dificuldade em expressar seu medo diante do que via, e explicar para os companheiros o que estava acontecendo. Ele jurava de pé juntos, que estava enxergando uma mão que acenava para ele, e que essa mão ficava fora dá água. Mas, ninguém conseguia ver a tal mão, e nem entender o que se passava.

Depois de muito suspense e após desistirem da pescaria, retornam para o porto de onde embarcaram, e a mão que aparecia para o pescador gago desaparece assim que os mesmos retornam. Em terra, ele conta para várias pessoas o acontecido, prometendo que jamais sairia para pescar em uma sexta-feira santa. Anos depois, esse pescador mudou de profissão e se tornou agricultor.

LENDAS E CAUSOS DA QUARESMA III - A CRIANÇA DESAPARECIDA

Nunca até então havia se visto tanta movimentação na fazenda como naquele dia. Desde o final da tarde até à noite, os escravos corriam de um lado para outro, revezando-se incansavelmente na busca pelo filho mais novo dos senhores. Durante a tarde foi visto brincando com os irmãos no pátio da fazenda e alguns disseram tê-lo perdido de vista quando foi para os lados da senzala. Pelos precipícios das serras, nas capoeiras, nas lavouras de café, no leito dos rios, por todos os lados os escravos procuravam avistar o menino, mas sempre voltavam de mãos abanando. A mãe inconsolável ameaçava atirar-se pela mata à procura do filho:

- Não é possível meu Deus! Deixar meu filho de apenas três anos sozinho, perdido nesta mata escura, correndo perigo de ser atacado por algum animal!

Em meio aos gritos de súplica da mãe, ouviu-se a voz fina e sonolenta do menino que voltava do mesmo jeito como havia sido visto mais cedo, cambaleando de sono e pedindo pelo colo da mãe. Interrogado por todos, a criança dizia apenas:

- Foi uma moça mãe...

Agradecida pelo milagre, a mãe orou como nunca na missa do domingo por seu filho ter voltado são e salvo. O menino se encantava com os anjos dourados da igreja, com as histórias contadas nos painéis, com todas aquelas figuras quando gritou surpreso:


- Foi ela mãe! Foi aquela moça que me levou para casa!

Apontando para o altar-mor, o menino mostrava a imagem da Nossa Senhora das Graças, envolta em seu manto azul de estrelas, com os olhos de compaixão e que parecia sorrir.


LENDAS E CAUSOS DA QUARESMA II - O DEFUNTO QUE O DIABO LEVOU


O coronel Carlota (coronel da antiga Guarda Nacional) era um riquíssimo traficante de escravos, já idoso, calvo e gordo, que residia com a família num sobradão quase centenário, à época, nas proximidades da igreja do Carmo.

A enorme riqueza material desse homem contrastava, porém, com sua imensa miséria moral. Era um indivíduo perverso, de tal maneira perverso, que martirizava os infelizes escravos que lhe pertenciam,não porque cometessem algum delito, mas unicamente para vê-los delirar de sofrimento. Muitos deles fugiam ou se suicidavam, quando lhe caíam nas garras. Aliás, não eram só os desgraçados pretos as vítimas desse tarado satânico - a família também sofria terrivelmente sob seu jugo implacável. Era corrente que a filha mais velha fora por ele próprio envenenada, por apenas recusar um fazendeiro bronco, de idade avançada, enfermiço e autor de muitas mortes, o qual, só pelo seu ouro, o coronel queria para genro.

Prosperavam os negócios do desumano traficante de escravos e preparava-se ele para uma viagem ao sertão, quando o destino lhe mudou o itinerário, mandando-o viajar para o cemitério.

A notícia de sua morte não causou nenhuma tristeza, como era de esperar, dada a antipatia que a cidade em peso lhe votava. Quase ninguém subia as escadas do velho sobrado, para ver a máscara do morto ou levar pêsames à família. A repulsa era evidente.

Ora, nesse dia, um estranho acontecimento se passou, de que só mais tarde se veio a saber.

Foi o caso que, tendo ficado um instante, o cadáver sozinho na sala, quando a esta voltou a primeira pessoa da casa, uma grande surpresa a esperava: o defunto havia desaparecido!

Houve o justificado alarme. A família, aturdida, assombrada, não achava explicação para o fato a não ser a intervenção do sobrenatural. "Era um velho tão mau, que falava tanto de Deus..." - comentavam.

Baldadas todas as buscas, e a fim de evitar escândalo, colocaram no caixão, para fazer peso, um grosso tronco de bananeira e depois o fecharam. Quando alguém, que chegava, pedia licença para ver o morto, diziam:

- Queria desculpar, mas não é possível.

Está-se decompondo horrivelmente... Tivemos ordem de não abrir mais o caixão.

Á tarde, os funerais foram feitos, com meia dúzia de pessoas, apenas, a acompanhar o corpo.

E dizem que, naquela noite, longe, muito longe da cidade, por uma deserta encruzilhada, passou, a horas mortas, numa carreira louca, um cavaleiro de esporas fosforescentes, alto, magro, anguloso, chispando fogo e levando à garupa de um cavalo fantástico o cadáver do velho coronel, envolto em lúgubre mortalha, que esvoaçava sinistramente ao vento... 

LENDAS E CAUSOS DA QUARESMA I - A PROCISSÃO DAS ALMAS

Conta-se que certa vez, durante a quaresma, um fato muito estranho aconteceu na cidade de Congonhas - MG. 

Havia uma senhora, que não saia da janela. De manhã, de tarde, de madrugada, la estava ela, todos os dias, observando a cidade em silencio. Um belo dia, enquanto ela observava sua rua, a ladeira do Bom Jesus, que estava completamente deserta até certa hora, de repente ela se deteve na janela,  quando avistou algumas pessoas que subiam a rua em procissão.
Eram pessoas desconhecidas que ela não se lembrava de algum dia ter visto em lugar nenhum na cidade, nem no centro, nem na rua, e muito menos na Igreja. Mas ao passar por sua casa, uma dessas pessoas lhe entregou uma vela e pediu-lhe para que a guardasse até o dia seguinte. Ela aceitou, entrou e guardou a vela numa gaveta de seu quarto. Quando voltou à janela, a procissão já ia bem mais adiante. Foi quando ela notou que as pessoas que ali estavam, não caminhavam, pois não possuíam pés: elas flutuavam!

E o seu espanto só não foi maior do que quando resolveu olhar a vela guardada: havia se transformado em um pedaço de fêmur humano.